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Nota: Este post não reflecte nenhuma opinião do autor do Portal Rede Psicologia. Consiste num artigo de opinião escrito pelo convidado e autor do mesmo, João Brito.

Vários médicos de família queixam-se de que muitos pais estão preocupados com os seus filhos, denominados dentro da faixa etária da 2º infância/pré-adolescência, devido a conteúdos transmitidos nomeadamente na televisão. O mais badalado é a série da TVI “Morangos com açúcar”.

Perguntas como, “devemos dizer para os pais terem um atitude autoritária?” “devemos aconselhar os pais a terem uma atitude de proibição?”

A psicologia educacional/familiar remete-nos para quatro estilos de comunicação/sistema, que são: negligente, onde o interesse e cuidado pela criança por parte dos pais é pouco ou nulo; permissivo, onde é deixado ao critério da criança de decidir as suas direcções; autoritário, onde os pais estabelecem regras rígidas de comportamento e punição para as crianças; e democrata ou participativo, onde as decisões são tomadas por via de negociação entre os pais e filhos. Ainda existe um quinto estilo que é o harmonioso, mas para aqui não interessa (mas que têm muito a ensinar), porque esse estilo foi relatado em amostras que provinham de comunidades à parte da sociedade urbana/rural.

O melhor estilo, dentro dos 4 que dispomos, é o democrata/participativo, onde pais e filhos negoceiam as suas vontade, gerem reforços, e fazem uma monitorização saudável (em determinados casos até as crianças podem desenvolver a competência de se auto-monitorizar, que a partir de determinada idade é ideal e adequado).

Eu pessoalmente sou adepto do estilo de comunicação democrata/participativo, porque para além de ser o mais humano é o que em co-construção com os pais, desenvolve as melhores competências de comunicação, capacidades de decisão e de resolução de problemas.

Portanto no que concerne a questões que os médicos de famílias (que também são muitas vezes propostas por professores) a minha opinião é a seguinte: vejam os morangos com açúcar com os vossos filhos, compreendam as suas necessidades, entram no mundo deles, não ajam preconceituosamente, ensinem a pensar, desenvolvam o juízo crítico, comuniquem, comuniquem, comuniquem. Mesmo que não possam estar presentes durante o visionamento da séria, perguntem à hora de jantar ou depois de jantar o conteúdo do que se passou na série. Discutam os casos. Comuniquem, comuniquem, comuniquem. E meta-comuniquem!!! Não procurem argumentos para vos distanciar, mas sim para vos aproximar.

Agora claro, isto exige tempo, dedicação e alguma tolerância.

Acho que o autoritarismo pode ser muito produtivo nalguns casos, mas cada vez mais as pessoas se acham livres, e na pré-adolescência, que é uma fase de experimentar e testar limites, e porque a sociedade também o alimenta e alicia, as crianças estão cheias de curiosidade de conhecer o mundo, e o autoritarismo pode muita vezes aumentar o distanciamento entre pais e filhos. Porque a meu ver, proibir a nova geração só gera frustração (que mais tarde se vai ressentir).

“Só há uma maneira de vencer um desejo, é ceder-lhe.” Oscar Wilde

O que vocês pensam desta situação em termos práticos (ou teóricos)?

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Sobre o autor:  Jorge Alves é estudante de Doutoramento em Psicologia. Investiga na área das Neurociências. Criador e autor principal do Portal RedePsicologia.com.



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