Postado em 12.31.09 em Saúde e Doença por Míriam Zaidan

Uma Visão Holística da Doença

Uma Visão Holística da Doença

Inicialmente gostaria de apresentar o sentido de doença , do ponto de vista da medicina alopática (medicina tradicional ou hipocrática), significa um conjunto de sinais e sintomas como indicadores de doenças oficialmente existentes e reconhecidas: são catalogadas em livros de Medicina.

Segundo Fritjof Capra, em O Ponto de Mutação, a doença é o fenômeno definido pelos médicos como tal, algo que diz respeito não ao ser humano como um todo, mas a alguma parte de seu corpo afetada por um evento que a prejudica. Nesta postura de Capra, ele acredita que de maneira geral, os médicos não se preocupam com os enfermos, mas com o tratamento de suas doenças:

Perderam de vista a importante distinção entre os dois conceitos.

De acordo com o ponto de vista biomédico, não existe enfermidade, não havendo, assim, nenhuma justificação para o cuidado médico quando não são encontradas alterações estruturais ou bioquímicas características de uma doença específica. Mas a experiência clínica tem demonstrado que uma pessoa pode estar enferma mesmo sem apresentar qualquer doença. Metade das consultas ao médico é de pessoas com queixas que não podem ser associadas a qualquer distúrbio fisiológico.

Capra, indica que “o equilíbrio natural dos organismos vivos inclui um equilíbrio entre suas tendências auto-afirmativas e integrativas”, vê a doença como desequilíbrio e desarmonia decorrentes da falta de integração da pessoa, especialmente na doença mental.

A visão holística da doença inclui a definição de doença como representação que os grupos sociais ( aspecto cultural ) constroem com relação aos fatos, sejam eles físicos, psíquicos, sociais ou de outras dimensões, que afetam a saúde das pessoas, com representações diferentes baseadas em crenças e diferentes normas de conduta, para diferentes grupos de pessoas ou diferentes culturas, podendo ter conotação negativa ou até positiva.

Nesta concepção, Capra explica que um organismo que, além de manter sua autonomia, não sabe integrar-se nos vários sistemas que compõem seu meio ambiente não pode ser saudável. A capacidade de integração depende da flexibilidade de cada organismo, isto é, “ de quantas de suas variáveis se mantêm flutuando dentro de seus limites de tolerância (…)”.

Quando os cientistas reduzem um todo a seus constituintes fundamentais – sejam eles células, genes ou partículas fundamentais – e tentam explicar todos os fenômenos em função desses elementos, eles perdem a capacidade de entender as atividades coordenadoras do sistema como um todo.

Atualmente mesmo para a Medicina Alopática, na especialidade de Psiquiatria não se considera um paciente “louco” por revelar que está “ouvindo vozes”, ou “enxergando almas”, respeita-se a informação como fator cultural.

Observamos que muitos pacientes hoje buscam em seus médicos e terapeutas pessoas que procuram entender seus problemas como um todo, não apenas o local onde está doendo, pois muitas doenças têm sua origem em aspectos emocionais e de relacionamento interpessoal , seja na família ou trabalho; as denominadas doenças psicossomáticas.

Portanto, precisamos como profissionais de saúde, estarmos atentos ao contexto integral do ser humano, seja no aspecto físico, emocional e social, como definição da saúde pela OMS (Organização Mundial da Saúde).

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Sobre o autor:  Míriam Zaidan é psicoterapeuta em abordagem humanista com especialização em Medicina Comportamental pela Universidade Federal de São Paulo. Autora do livro "Psicologia Aplicada em Segurança do Trabalho" (Destaque nos Aspectos Comportamentais e Trabalho em Equipe da NR-10). Pioneira no Brasil em treinamentos voltados à Segurança nas Instalações e Serviços em Eletricidade.



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Comentários ( 2 )

Formidável artigo!

Realmente o mundo evolui e aprendemos com erros e acertos do passado.

Marcia KuniyoshiNo Gravatar deixou este comentário em Jan 02 10 ás 20:24

Muito interessante este artigo!!
O pensamento das pessoas evolui à medida que desenvolvemos nossa capacidade de nos relacionarmos, assim acontece com os indivíduos e com a ciência médica em relação às doenças.

Allan LuizNo Gravatar deixou este comentário em Jan 03 10 ás 23:50

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