Postado em 08.01.09 em Curiosidades por Jorge Alves

Um engenhoso exemplo de como se faz ciência

Um engenhoso exemplo de como se faz ciência

Abelha pousada numa flor

Abelha pousada numa flor

Enquanto navegava pela internet, deparei-me com um interessante e recente artigo que considero um engenhoso exemplo de como se faz ciência.

O artigo em questão intitula-se “As abelhas têm em consideração o perigo das flores na sua dança em forma de oito” (em inglês: Honeybees consider flower danger in their waggle dance). Esta publicação na revista Animal Behaviour é o resultado do trabalho dos investigadores Kevin Abbott e Reuven Dukas.

Passo então a dar conta dos passos da referida investigação.

Quando as abelhas retornam à colmeia fugindo de algo, agitam os seus corpos numa dança complexa investigada e conhecida há já 40 anos.
Desde então é sabido que a dança informa as outras abelhas e veicula, através do seu ângulo e direcção, a distância e direcção de flores a que estas se devem dirigir para ter alimento, por exemplo.

Kevin Abbott e Reuven Dukas trazem agora evidências de que a dança em oito pode ter mais funções.
Nesta investigação, começaram por treinar abelhas para visitar duas flores artificiais contendo a mesma quantidade e concentração de comida.

De seguida deixaram uma das flores inalterada, sendo esta uma fonte segura de alimento para as abelhas. Na outra flor colocaram dois corpos de abelhas mortas, visíveis aos insectos que viessem de encontro à flor e de modo a não interferirem com a fuga destes últimos.

Passaram a registar se e como as abelhas realizavam a dança em oito no regresso para as outras abelhas da colónia da colmeia.

Constataram que, em média, as abelhas que regressaram da flor segura realizaram 20 a 30 vezes mais a a dança do que as abelhas que regressavam da flor perigosa.

Assim, eles interpretaram que as abelhas reconhecem que certas flores acarretam um maior risco de causar morte ou de ser comida para predadores. Para além do mais as abelhas avisam as suas parceiras da colónia sobre a possibilidade de perigo.

Depois deste breve resumo, é possível abstrair que este é um exemplo de como podemos conduzir uma experiência tentando ser o mais simples e directo possível em medidas e conceitos, tentando não gerar ruído. Um bom exemplo das fases de recolha e interpretação dos dados numa investigação.

Link para o artigo: Honeybees consider flower danger in their waggle dance

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Sobre o autor:  Jorge Alves é Doutorado em Psicologia. Neuropsicólogo Clínico. Investiga na área das Neurociências. Criador e autor principal do Portal RedePsicologia.com.



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Comentários ( 1 Comentário )

Desde que não confunda abelhas com seres humanos já é um princípio…rs Afinal não existe anbelhotrosofia…rsrs

Gerson Machado de AvillezNo Gravatar deixou este comentário em Ago 02 09 ás 3:25

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