Postado em 09.01.10 em Notícias por Jorge Alves

Professor de psicologia responsabilizado por conduta imprópria em ciência

Professor de psicologia responsabilizado por conduta imprópria em ciência

O Boston Globe noticia que o conceituado professor de psicologia Marc Hauser foi dado como responsável de oito instâncias de conduta imprópria pela Universidade de Harvard. Tal se reporta a três artigos publicados e outras cinco experiências adicionais.

O assunto está ainda a ser investigado pelos representantes legais do Governo Norte-Americano, uma vez que fundos governamentais foram usados.

Segundo o portal Ars Technica as dúvidas sobre as investigações do professor Hauser começaram após este ter descoberto que o macaco-rhesus podia reconhecer padrões especifico de sílabas. Na referida experiência eram repetidos padrões de três sílabas (ex: A-A-B);  depois o padrão era alterado (ex: A-A-B). Caso os macacos dirigissem a atenção para os altifalantes, os investigadores inferiam que os animais notavam a mudança no padrão. Tal análise de dados recorria ao exame de vídeos por parte de vários observadores. Contudo, segundo o Chronicle of Higher Education, nesta fase apenas o professor Hauser reparou na reacção dos macacos enquanto que o seu assistente não encontrou evidências que os macacos estivessem a dar conta da mudança de padrão. Sendo assim necessário rever as gravações para resolver a divergência, o Dr. Hauser recusou-se, argumentando que a pesquisa deveria ser publicada com os dados que ele tinha abstraído. Desta forma um assistente de investigação e uma aluno expuseram à universidade a sua preocupação com a publicação de dados errados e pressões a estudantes para publicar dados contraditórios. Foi então efectuada uma investigação por parte da universidade que constatou a existência de conduta imprópria.

Gerry Altmann, que enquanto editor chefe da revista científica Cognition teve acesso aos resultados da investigação, pronunciou-se sobre um artigo publicado em 2002 na mesma revista. Este referiu que os animais apenas foram testados na condição com padrão gramatical diferente. Para concluir que existiu uma discriminação entre os padrões seria necessário testar também os padrões gramaticais “iguais”.
Refere ainda outras incongruências como o facto de os estímulos usados durante a fase de teste não terem sido como os descritos no artigo. Aponta também que não existe evidência de que os dados tal como foram descritos tenham sido recolhidos e uma vez que foram realizadas análises estatísticas com os dados referidos no artigo, existiria intenção de enganar.

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Sobre o autor:  Jorge Alves é Doutorado em Psicologia. Neuropsicólogo Clínico. Investiga na área das Neurociências. Criador e autor principal do Portal RedePsicologia.com.



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