Postado em 01.15.10 em Curiosidades, Saúde e Doença por Rosana Magalhães

Efeitos dos telemóveis na saúde – Aparentemente o mau virou bom

Efeitos dos telemóveis na saúde – Aparentemente o mau virou bom!

Depois de anos de investigação sobre os nefastos efeitos da radiação emitida pelos telemóveis, surge um estudo que contraria esse mito.

Tudo começou na década de 90 quando os media foram bombardeados com afirmações de utilizadores de telemóveis que diziam ter desenvolvido tumores cerebrais na sequência da utilização prolongada dos mesmos.

A partir desse momento vários grupos de investigação começaram a estudar o possível efeito da rádio-frequência em células vivas, para tentar averiguar se o nosso cérebro era afinal um tecido vulnerável às radiações. Com o estudo RELFEX, repetido posteriormente por vários investigadores, o argumento do malefício do uso dos telemóveis ganhou mais peso, porquanto cientistas afirmavam “For me, there is no doubt that electromagnetic fields can cause DNA strand breaks and genotoxic effects” (Franz Adlkofer, que conduziu o estudo REFLEX original). A partir desse momento foram divulgadas precauções no uso de telemóveis, por exemplo, era desaconselhado o uso dos mesmos por crianças com menos de 9 anos.

No entanto, no passado mês investigadores britânicos publicaram as conclusões de um estudo sobre o estudo do uso do telemóvel, que decorre desde 1998 e envolve 13 países. De acordo com os investigadores, utilizadores regulares de telemóveis não apresentavam maior risco no desenvolvimento de tumores do que utilizadores mais esporádicos.

A utilização do telemóvel talvez não seja tão prejudicial como se pensava.

A utilização do telemóvel talvez não seja tão prejudicial como se pensava anteriormente.

Mais recentemente, um estudo revelou que ratos modificados geneticamente e que apresentavam um modelo animal de Alzheimer, foram expostos regularmente a um campo electromagnético idêntico ao produzido pelos telemóveis e, ao que parece, a memória deles melhorou.

O setting foi desenhado de modo a que os ratos fossem expostos a doses de radiação semelhante à que os humanos recebem durante o uso do telemóvel (uma hora, duas vezes por dia, durante 9 meses). Durante este período os ratos eram avaliados com uma tarefa que implicava a memorização da saída de um labirinto. Para espanto de todos, a memória quer dos ratos normais quer dos transgénicos que haviam sido expostos ao campo electromagnético, parecia melhor no final da experiência, comparado com um grupo controlo de ratos que não foi sujeito à radiação.

A possível explicação, avançada por Arendash, tem a ver com o facto da radiação poder aumentar a actividade eléctrica dos neurónios o que poderia conduzir a um aperfeiçoamento da capacidade de formação de memórias. De modo semelhante, um estudo de 2000 revelou que pessoas que eram expostas a radiação equivalente à dos telemóveis antes de irem dormir, apresentavam maior activação cerebral durante o sono.

No estudo dos ratinhos ainda foi revelado que os que foram expostos a radiação apresentavam menos placas de proteína beta-amilóide do que os que não haviam sido expostos, sendo este um substrato neurológico extensamente associado à doença de Alzheimer. Mais ainda, nos ratos transgénicos mais velhos, que já apresentavam placas cerebrais mesmo antes da experiência se ter iniciado, a exposição ao campo electromagnético parecia quebrar e contrair as placas, apesar do investigador desconhecer o porquê de tal acontecer. A par do potencial efeito benéfico, o autor do estudo afirmou não ter encontrado efeitos do campo magnético quer no comportamento, quer no DNA dos ratos, não tendo sequer surgido tumores.

Investigadores mais cépticos defendem que é necessário replicar os estudos e que é ainda muito cedo para se extraírem conclusões dos resultados para os humanos. Aguardemos então por novos estudos. De qualquer modo, até evidência em contrário, o uso de telemóveis em doses equilibradas parece-me sensato.

Para quem quiser ler o estudo com mais detalhe, aqui está o link:

http://www.j-alz.com/press/2010/20100106.html

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Sobre o autor:  Rosana Magalhães é colaboradora do Portal Rede Psicologia.



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